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5ª Definição Universal de IAM: chega de "tipo 1 a 5"; agora o IAM é primário, secundário ou relacionado a procedimento

Tipos 1 a 5 viram três categorias: IAM primário, secundário ou relacionado a procedimento.

Data de publicação
28/08/2026
Fonte
ESC/ACC/AHA/WHF. Fifth Universal Definition of Myocardial Infarction, Eur Heart J, doi:10.1093/eurheartj/ehag101. Lido no conjunto oficial de slides, que compara a 4ª e a 5ª definição (slides 5 a 8, 14, 19 e 22).

O que mudou

A classificação em tipos 1 a 5 foi substituída por três categorias. O IAM primário incorpora o antigo tipo 1 e outras etiologias de patologia coronária aguda. Não é sinônimo um a um do tipo 1. Entram aterotrombose, dissecção espontânea, embolia, vasoespasmo e reestenose, trombose de stent ou falha de enxerto com mais de 30 dias do procedimento.

O IAM secundário é desequilíbrio de oferta e demanda por outra condição aguda, confirmado, quando a imagem é factível, por DAC obstrutiva sem patologia coronária aguda ou por alteração segmentar nova (ou presumida nova) ou ausência de miocárdio viável em padrão isquêmico. DAC obstrutiva, no slide, é estenose de 70% ou mais num vaso epicárdico, ou de 50% ou mais se limitar o fluxo na avaliação fisiológica.

O IAM relacionado a procedimento substitui os tipos 4 e 5 e vale até 30 dias de um procedimento cardíaco. O antigo tipo 3, morte antes do exame, foi retirado como termo. Se o infarto for a causa provável da morte, usa-se a classificação clínica, pelo contexto ou pelo exame post-mortem.

Lesão miocárdica aguda continua a pedir troponina acima do percentil 99, agora com limite específico por sexo, com ascensão e/ou queda.

Os múltiplos de troponina do slide 22 não confirmam sozinhos o IAM relacionado a procedimento. Logo depois do procedimento, o diagnóstico é considerado provável quando o biomarcador sobe a partir do valor pré-procedimento e segue subindo, por exemplo acima de 5 vezes o limite superior de referência em 6 horas na intervenção e acima de 35 vezes em 24 horas na cirurgia. A confirmação pede evidência angiográfica da complicação ou imagem de alteração segmentar nova ou de ausência de viabilidade. Quando a complicação surge durante o procedimento, ou o procedimento ocorre no meio de um infarto agudo, as duas evidências são exigidas.

Antes (4ª definição, 2018, no slide comparativo)Agora (5ª definição, 2026)
Tipo 1 restrito à aterotromboseIAM primário: incorpora o antigo tipo 1 e outras patologias coronárias agudas, inclusive dissecção, embolia, vasoespasmo e falha tardia de stent ou enxerto (>30 dias)
Tipo 2: desequilíbrio de oferta e demanda, com ou sem DAC, e também outras patologias coronárias agudasIAM secundário: outra condição aguda, mais DAC obstrutiva sem patologia aguda e/ou alteração segmentar nova ou ausência de viabilidade em padrão isquêmico
Tipo 3: morte súbita antes da troponinaTermo removido
Tipos 4 e 5, com limiares próprios e janela de 48 horas no slide da 4ª definiçãoIAM relacionado a procedimento, até 30 dias. Os múltiplos de troponina são exemplos que aumentam a probabilidade. Não são critério suficiente
Percentil 99, com limite específico por sexo sugeridoPercentil 99 específico por sexo

Como cai na prova

Espere uma mulher jovem com dissecção espontânea de coronária, ou um paciente com vasoespasmo, e a pergunta "qual o tipo de IAM?". Pela 5ª definição, a resposta é IAM primário, não "antigo tipo 2" nem um tipo numérico.

Outra vinheta: anemia grave, troponina com ascensão e/ou queda acima do percentil 99 específico por sexo, coronárias sem DAC obstrutiva e sem alteração segmentar nova nem perda de viabilidade em padrão isquêmico. Isso não fecha IAM secundário. Falta a evidência qualificadora. Enquanto ela não existir, o achado é lesão miocárdica, não infarto. Anemia, troponina elevada e coronárias normais, sozinhos, não dão o diagnóstico.

No IAM relacionado a procedimento, não marque a alternativa só porque a troponina passou de 5 ou de 35 vezes o limite. O slide trata esses números como exemplo de probabilidade. A confirmação pede a imagem ou a complicação coronária.

doi.org / ehag101 (slide set: dam-assets.escardio.org / b2e827b89baa11f1879e62eac143aa37)

Posição brasileira

As diretrizes da SBC sobre síndrome coronariana ainda circulam com a nomenclatura da 4ª definição. Não localizamos posicionamento da SBC sobre a 5ª definição até 26/09/2026. Não localizar não prova que não exista. Se o enunciado citar a SBC, responda pela diretriz que ele nomear.

Resumos editoriais para estudo. Não substituem a leitura do documento oficial: cada post traz o link da fonte.