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PCDT de Hepatite C 2026: sem genotipagem, esquemas pangenotípicos e APRI na prescrição inicial

Sem genotipagem antes de tratar: esquemas pangenotípicos, com o APRI orientando o tratamento inicial.

Data de publicação
21/07/2026 (DOU). Portaria SCTIE/MS nº 39, de 20/07/2026
Fonte
Ministério da Saúde/Conitec. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Hepatite C e Coinfecções (Relatório de Recomendação nº 1110, PDF pp. 7, 41 e 44 a 51). Revoga a Portaria SCTIE/MS nº 84/2018. O "antes" do APRI está no PCDT de 2018, PDF pp. 29 a 31.

O que mudou

O novo PCDT simplifica o cuidado da hepatite C. A genotipagem deixa de ser necessária para o tratamento inicial e para o retratamento com antivirais de ação direta. O tratamento passa a usar esquemas pangenotípicos. Saem os esquemas não pangenotípicos (elbasvir/grazoprevir e ledipasvir/sofosbuvir) e a recomendação de alfapeginterferona com ribavirina.

O APRI não entra agora na linha de cuidado. O PCDT de 2018 já o usava, junto com FIB-4, biópsia ou elastografia, para estadiar fibrose e cirrose. Naquele protocolo, APRI abaixo de 1,0 era baixa probabilidade de cirrose, não exclusão absoluta, e o texto lembrava boa especificidade com baixa sensibilidade.

O que muda em 2026 é o papel do escore. A apresentação do relatório lista a inclusão do APRI como critério da prescrição inicial. O estadiamento recomendado começa pelo APRI. No contexto deste protocolo, o ponto de corte usado para afastar doença hepática avançada é APRI < 1. O próprio texto quantifica: com os números que ele adota, APRI < 1 exclui a cirrose corretamente em 91% das vezes. Não é certeza absoluta. APRI < 1 e sem cirrose conhecida leva a sofosbuvir mais daclatasvir por 12 semanas, na atenção primária, se não houver as condições que mandam à atenção especializada. APRI ≥ 1 ou cirrose compensada muda o esquema para sofosbuvir/velpatasvir por 12 semanas.

Também constam sofosbuvir/velpatasvir/voxilaprevir no retratamento e sofosbuvir/velpatasvir em grânulos para crianças de 3 a 11 anos. A incorporação do primeiro foi pela Portaria SCTIE/MS nº 163, de 02/12/2022. A dos grânulos, pela Portaria SCTIE/MS nº 95, de 29/12/2025. Este PCDT é que as escreve no algoritmo atual.

Antes (PCDT 2018)Agora (PCDT 2026)
Genotipagem no fluxo e esquemas conforme o genótipoSem genotipagem pré-tratamento. Esquemas pangenotípicos
Elbasvir/grazoprevir, ledipasvir/sofosbuvir e alfapeginterferona com ribavirina podiam compor o cuidadoEsses esquemas deixam de ser recomendados
APRI já existia para estadiar. APRI < 1,0: baixa probabilidade de cirrose, sem escolher sozinho o comprimidoAPRI é o ponto de partida do estadiamento e o critério da prescrição inicial. APRI < 1 afasta doença avançada no contexto do protocolo, com o valor preditivo descrito, não com certeza absoluta
Retratamento e apresentação pediátrica em grânulos não estavam neste algoritmoSOF/VEL/VOX no retratamento. SOF/VEL em grânulos dos 3 aos 11 anos

Rastreamento, segundo o PCDT: adultos com 18 anos ou mais pelo menos 1 vez na vida; gestantes a cada gestação; usuários de PrEP a cada 4 meses.

Como cai na prova

O caso típico é um adulto com HCV crônico recém-diagnosticado, em avaliação pré-tratamento, sem cirrose conhecida, com APRI de 0,6, e a pergunta "qual o próximo passo?". Pelo PCDT 2026, não se pede genotipagem. O esquema inicial do protocolo, nesse contexto, é pangenotípico (sofosbuvir mais daclatasvir por 12 semanas, se não houver critério de encaminhamento). A pegadinha é manter a genotipagem "porque sempre foi assim", ou tratar APRI < 1 como prova de que não existe cirrose.

Resumos editoriais para estudo. Não substituem a leitura do documento oficial: cada post traz o link da fonte.