PCDT de DM2 2026: rastreamento universal no SUS passa a começar aos 35 anos
No SUS, o rastreamento universal de DM2 passa a começar aos 35 anos, e não mais aos 45.
- Data de publicação
- 24/02/2026 (DOU). Portaria SCTIE/MS nº 13, de 21/02/2026
- Fonte
- Ministério da Saúde/Conitec. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 2, seção 4 "Rastreamento" (PDF pp. 4 e 5) e Quadros 4 e 6 (PDF pp. 7 e 14). Revoga a Portaria SECTICS/MS nº 7, de 28/02/2024.
O que mudou
A mudança testável é a idade do rastreamento universal: de 45 para 35 anos. O texto diz "rastreamento em todos os indivíduos a partir dos 35 anos". Em qualquer idade, continua indicado rastrear quem tem sobrepeso ou obesidade e pelo menos um fator de risco do Quadro 1. O exame preconizado é a glicemia de jejum. Se estiver normal, repete-se a cada 3 anos. Se houver pré-diabetes, ou 3 ou mais fatores de risco sem alteração laboratorial, o rastreamento é anual.
Pessoas vivendo com HIV, fibrose cística e transplantados não são novidade. O PCDT resumido de 2024 já os nomeava na lista de rastreamento de pessoas assintomáticas não gestantes. O protocolo de 2026 mantém esses grupos e também indica rastrear todas as gestantes a partir da 24ª semana.
O Quadro 1 de 2026 inclui itens que não estavam na lista do resumido de 2024: doença hepática esteatótica, terapia antipsicótica, privação crônica do sono, ocupação em turno noturno e FINDRISC alto ou muito alto. Apneia obstrutiva do sono já estava no resumido de 2024. Não conte a apneia como fator novo.
| Antes (PCDT resumido de 2024, Portaria nº 7/2024) | Agora (PCDT DM2 2026) |
|---|---|
| Rastreamento universal a partir de 45 anos | Rastreamento universal a partir de 35 anos |
| Sobrepeso ou obesidade mais um fator de risco, em qualquer idade | Mantido. O Quadro 1 reorganiza a lista e acrescenta, entre outros, esteatose, antipsicótico, privação de sono, turno noturno e FINDRISC alto |
| HIV/Aids, fibrose cística e transplante de órgão já estavam explícitos | Os três grupos continuam. Entra também, no texto, o rastreamento de todas as gestantes a partir da 24ª semana |
| Repetição conforme o resultado | Glicemia de jejum a cada 3 anos se normal. Anual se pré-diabetes ou 3 ou mais fatores de risco |
Sem mudança de primeira linha: metformina segue como opção inicial e a dapagliflozina segue com os critérios do SUS. A meta de HbA1c não deve ser decorada num único símbolo: o texto da p. 13 escreve ≤ 7,0% e o Quadro 6 escreve < 7,0.
O próprio PCDT é inconsistente nos limites. Na p. 5, o pré-diabetes é glicemia de jejum de 101 a 125 mg/dL, e o normal é abaixo de 100 mg/dL. No Quadro 4, o pré-diabetes é 100 a 125 mg/dL e o normal é < 100. Não use 100 mg/dL nem 7,0% de HbA1c como gabarito limítrofe sem o enunciado dizer qual trecho vale.
Como cai na prova
Espere uma pessoa assintomática de 38 anos, sem fatores de risco, e a pergunta "segundo o Ministério da Saúde, está indicado rastrear DM2?". Pelo PCDT 2026, a resposta é sim. A recomendação R6 da Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, edição 2026, também recomenda rastreamento universal a partir dos 35 anos. Esta vinheta não serve para ensinar divergência com a SBD. Se o enunciado citar outra diretriz, responda por ela.
Link oficial
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